sexta-feira, 4 de março de 2011

Fisiologia e anatomia da barata


A maioria das pessoas consegue reconhecer as baratas rapidamente. Elas são insetos marrom ou pretos que geralmente medem entre 12 a 50 mm, sem contar suas longas antenas. Suas cabeças apontam para baixo, quase como se elas tivessem sido criadas para dar marteladas. Os machos geralmente têm asas, mas as fêmeas, não. As que possuem asas geralmente têm asas vestigiais, que são pequenas, rudimentares e muitas vezes não permitem que a barata voe.
Embora a reputação delas geralmente as diferencie, as baratas têm muito em comum com outros insetos. Seus corpos possuem três regiões principais: a cabeça, o tórax e o abdômen. Elas possuem três pares de pernas articuladas, um par de antenas e um exoesqueleto (em inglês) rígido. As baratas trocam seus exoesqueletos ou sofrem metamorfose várias vezes durante suas vidas. Depois de sofrer metamorfose, a maioria das baratas é branca e pode se machucar facilmente até que um hormônio chamado ecdisona deixe o exoesqueleto escuro e duro. Algumas vezes, uma barata pode fazer um membro perdido renascer quando sofre metamorfose e pode até adiá-la para permitir que o novo membro cresça.

cockroach
Imagem cedida por stock.xpert


As cabeças das baratas acomodam seus olhos, antenas e aparelhos bucais. Ao contrário da crença popular, suas cabeças também acomodam seus cérebros. A maior parte da atividade de seus sistemas nervosos, no entanto, acontece em gânglios nervosos localizados por todo o corpo delas. Esse é um dos motivos que explica por que uma barata sem cabeça pode viver por mais de uma semana. O outro é que as baratas não respiram por meio de um nariz ou boca. Em vez disso, elas inspiram o ar por meio de espiráculos, ou buracos em suas laterais. Tubos chamados traquéias mandam oxigênio dos espiráculos para os órgãos e tecidos. Quando uma barata sem cabeça finalmente morre, ela morre de sede.

Embora não sejam tão característicos quanto os olhos de libélulas ou moscas, os olhos das baratas são compostos e feitos de células fotorreceptoras chamadas omatídeos. Um anel duro chamado esclerita ocular cerca os fotorreceptores. Graças a essa estrutura composta, as baratas enxergam o mundo como um mosaico.
Antenas móveis, também conhecidas como antenas filiformes, permitem que as baratas sintam e cheirem o mundo ao redor delas. Embora as antenas pareçam fios, na verdade elas são formadas por vários segmentos pequenos e cobertos de pêlos. Esses segmentos são menores e mais grossos próximo da cabeça da barata, e mais longos e finos próximo das pontas.

Direto da antena da barata
Muitas vezes, uma antena vai continuar a reagir aos estímulos mesmo depois de ter sido retirada de uma barata. Os cientistas aproveitaram esse fenômeno para criar o eletroantenograma - uma antena conectada a um osciloscópio. Os pesquisadores usaram esse aparelho para estudar os feromônios de barata, ou substâncias químicas usadas para atrair outras baratas. Esses feromônios poderiam ser usados para fazer iscas de baratas mais eficazes.
As bocas das baratas, como as de outros insetos, são bastante diferentes das bocas dos mamíferos. Muitas partes, no entanto, têm as mesmas funções das partes da boca de um mamífero:
  • o labro e o lábio formam os beiços;
  • duas mandíbulas têm superfícies para cortar e triturar, como dentes;
  • duas maxilas manipulam a comida enquanto a barata mastiga.
O tórax
O tórax de uma barata acomoda as ligações para os três pares de pernas e, quando presentes, dois pares de asas. Cada um dos três pares de pernas recebe o nome da região do tórax em que ela está conectada.
As pernas protorácicas estão mais próximas à cabeça da barata. Essas são as pernas mais curtas da barata, e elas funcionam como freios quando ela corre. Uma parte do protórax também cobre a cabeça da barata.
As do meio são as pernas mesotorácicas. Elas se movem para frente e para trás para aumentar ou diminuir a velocidade da barata.
As bem longas pernas metatorácicas são as pernas traseiras, e elas movem a barata para frente. Usando suas pernas metatorácicas, uma barata pode se mover por uma distância de 50 vezes o tamanho de seu corpo em um segundo. Um humano se movendo nessa velocidade estaria correndo a cerca de 320 k/h. Quando uma barata corre nessa velocidade, ela às vezes levanta o corpo e usa apenas as pernas traseiras. A força do ar a mantém em posição vertical.

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Esses três pares de pernas têm tamanhos e funções bem diferentes, mas elas possuem as mesmas partes e se movem da mesma maneira. A parte de cima da perna, chamada coxa, conecta a perna ao tórax. As outras partes da perna se parecem com as partes da perna humana:
  • trocânter funciona como um joelho e permite que a barata dobre sua perna;
  • fêmur e a tíbia parecem com os ossos da coxa e da canela;
  • tarso segmentado funciona como um tornozelo e um pé; o tarso em forma de gancho também ajuda as baratas a andarem pelas paredes e de cabeça para baixo nos tetos.
Cada perna se move para cima e para baixo como um pula-pula e para frente e para trás como um pêndulo. As pernas dianteiras e traseiras de um lado se movem ao mesmo tempo que as pernas do meio do outro lado. Dessa maneira, a barata pode se mover em praticamente qualquer área. Quando uma barata está correndo o mais rápido possível, suas pernas se movem para frente e para trás cerca de 27/s. Quando ela corre de ponta-cabeça em um teto, ela dá passos mais largos na tentativa de não cair. Na verdade, bem mais energia é necessária para que uma barata corra de cabeça para baixo do que para que ela suba em uma parede vertical.
O abdômen
A maioria dos insetos tem um abdômen segmentado que contém a maior parte de seus órgãos internos, e as baratas não são uma exceção. Dentro do abdômen de uma barata, um coração parecido com um tubo transporta o sangue para os órgãos e tecidos. Ao contrário do sangue humano, o sangue de uma barata não usa hemoglobina para transportar oxigênio; então, ele é incolor em vez de ser vermelho. O sangue também não se movimenta por um amplo sistema circulatório. Embora uma aorta transporte o sangue para os órgãos específicos, a maior parte do sangue se movimenta por meio de uma rede de espaços chamada hemocele. As baratas também armazenam gordura de uma maneira um pouco diferente das pessoas. Em vez de espalhá-la pela maior parte de sua estrutura física, elas a armazenam em um lugar central chamado corpo de gordura.
O sistema digestivo de uma barata está localizado em seu abdômen, e a maior parte dele lembra uma versão simplificada do sistema digestivo de um mamífero. O sistema digestivo de uma barata tem, no entanto, algumas modificações que permitem que ela coma celulose e outros materiais duros. Uma delas é um papo, que armazena a comida engolida até que a parte dentada do aparelho digestivo, chamada proventrículo, possa triturá-la. Bolsas chamadas cecos gástricos armazenam enzimas e micróbios que continuam a digestão da comida. Essa ajuda digestiva extra é particularmente importante se a barata come celulose ou madeira. Somente depois que o material estiver completamente decomposto o intestino médio da barata pode absorver os nutrientes da comida.
Dois cerci segmentados ficam na parte inferior e exterior do abdômen da barata. Eles parecem com antenas e podem ser usados como órgãos sensoriais. Um nervo dentro da barata permite que ela detecte o movimento do ar ao redor de seus cerci. Esse é um dos motivos pelo qual as baratas conseguem fugir rapidamente se você tentar pegá-las ou esmagá-las.
Os sistemas reprodutores das baratas também estão localizados em seus abdomens. Vamos dar uma olhada nesse sistema e no ciclo de vida da barata a seguir.

Baratas como presas
As baratas podem parecer indestrutíveis, mas elas são comida para uma variedade de outros animais. Algumas espécies de vespas usam as baratas como incubadoras para seus ovos. Uma vespa fêmea pica a barata ou retira suas antenas para deixá-la paralisada. Depois, ela deposita seus ovos dentro da barata, onde irão crescer até que saiam dos ovos. Além disso, outra praga caseira, as comuns centopéias, comem as ninfas das baratas.
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