sexta-feira, 2 de setembro de 2011

São Paulo autoriza corte de 84 árvores por dia

Nos primeiros sete meses do ano, a cidade perdeu 18 mil árvores, o equivalente ao volume existente nos parques do Ibirapuera e Villa-Lobos juntos

Por Agência Estado
Aapo Haapanen
Os balanços não levam em conta o corte ilegal nem o desmatamento de áreas ocupadas por favelas
Cada vez mais cinza, monocromática, árida. Nos primeiros sete meses de 2011, a cidade de São Paulo, que já sofre com a falta de verde, autorizou o corte de 18 mil árvores, o equivalente ao número existente nos parques do Ibirapuera e Villa-Lobos juntos. É como se todas as árvores do Ipiranga e de Santo Amaro tivessem sumido. O valor é superior ao ano passado quando, segundo a Prefeitura, 10.639 árvores foram cortadas.

De acordo com levantamento feito com base em dados da Comissão do Verde e Meio Ambiente da Câmara Municipal de São Paulo e nas autorizações de corte de árvores publicadas no Diário Oficial da Cidade, 84 árvores foram cortadas por dia, ou seja, 2.575 por mês.

Esses balanços não levam em conta o corte ilegal de vegetação e o desmatamento de áreas ocupadas por favelas, o que elevaria o número para patamares mais impressionantes.

Em todos os casos, a prefeitura exige o replantio de alguns exemplares e a doação de mudas para compensar a perda de vegetação - segundo especialistas, uma prática executada sem sucesso e com fiscalização insuficiente. Isso porque, quando transplantadas para outro lugar, as árvores têm grande probabilidade de secar e morrer. Além disso, não há um acompanhamento para que as mudas plantadas "vinguem" e virem novas árvores. Ou seja, mesmo a compensação sempre está longe de remediar o problema.
"Além de perdermos árvores antigas, qualquer um vê que a contrapartida não funciona. É só analisar o número de mudas secas morrendo nos canteiros da cidade", diz o arquiteto Marcelo Novaes, morador do Morumbi, na zona sul de São Paulo. Há três meses, ele pede a poda de uma árvore na frente de sua casa, sem resposta da Prefeitura. "O morador não consegue evitar que uma árvore caia de podre, mas as construtoras conseguem desmatar terrenos inteiros", desabafa.

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