quinta-feira, 3 de março de 2011

Uma baleia consegue viver em água doce ?

Baleia morre depois de cinco dias no rio Tapajós­­
Adailson Muniz/O Liberal
Baleia que morreu após cinco dias no rio Tapajós


Baleia minke morre ferida e com fome

A baleia que ficou encalhada e morreu no rio Tapajós em novembro de 2007 foi vítima de alguma embarcação, do stress e da fome, segundo relatório preliminar do Ibama do Pará. A baleia minke era jovem e apresentava ferimentos com hemorragia que não cicatrizou. Seu estômago apresentava quadro de gastrite, causada pela falta de alimento e o stress de ter encalhado e se ferido, segundo os primeiros dados da autópsia.

Baleias e golfinhos são erroneamente chamados de mamíferos marinhos, quando são, na verdade, mamíferos aquáticos, segundo a oceanógrafa Shirley Pacheco, do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo. O que realmente limita a sobrevivência deles em água doce é a falta de comida nesse ambiente.

No mar, baleias se alimentam de fitoplâncton - um composto microscópico de algas e bactérias - e krill, um camarão minúsculo, quase microscópico, que as baleias comem às toneladas por dia. Na água doce não existe nenhum desses dois alimentos.

Shirley lembra ainda que o ambiente de rio sempre é menor e mais limitado que o mar. Por isso, as baleias ficam com pouco espaço para realizar suas manobras nesses ambientes.

A oceanógrafa afirma que muitas espécies de golfinhos, como o boto cinza, vindos do mar, vivem em regiões onde as águas são uma mistura de mar e de rio, conhecidas como salobras, como a Ilha de Marajó, no Pará, e vários lugares do litoral brasileiro. Ela diz que essas regiões são conhecidas como áreas de transição. Além do boto cinza (Sotalia guianensis), vivem na região do Marajó o boto tucuxi (Sotalia fluviatilis), originário de água doce, e o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), também de água doce.

Existem muitos outros mamíferos aquáticos que vivem em água doce. Um exemplo é a baleia branca beluga (Delphinapterus leucas), que habita as águas frias em torno do círculo polar ártico, mais especificamente, nas águas do rio São Lourenço, no norte do Canadá. São as únicas baleias de água doce do mundo. Elas estão no topo da cadeia alimentar e os poluentes das águas onde vivem se acumulam em seus tecidos. Outro cetáceo de água doce é o golfinho baiji (Lipotes vexillifer), hoje extinto, que vivia no rio Yan-tsé, na China.

Os casos de baleias que entram em rios são relativamente comuns. Em 15 de novembro de 2007, uma baleia minke (Balaenoptera bonaerensis) entrou nadando pelo rio Tapajós, um dos afluentes do Amazonas, no norte do país. Ela encalhou em vários bancos de areia e acabou morrendo cinco dias depois, mais de 1.600 km rio adentro (veja detalhes da autópsia no box). Em 2006, havia sido registrada uma outra baleia nesta região. Também em 2006, em janeiro, uma baleia entrou no rio Tâmisa e foi parar em Londres, a 63 km do mar. Acabou morrendo poucos dias depois.

De acordo com Shirley, não é a água doce que provoca essas mortes. As baleias, quando por engano entram nos rios, podem já estar doentes, ou ter sido atingidas por embarcações, e se afastam de seu ambiente original. A minke encontrada no Tapajós em novembro de 2007 tinha no corpo vários ferimentos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário