quinta-feira, 3 de março de 2011

História do projeto

 

Depois de ter sido criado o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, em abril de 1983, pesquisadores notaram ali a presença de uma das espécies de grandes baleias mais ameaçadas de extinção, a baleia jubarte.

Para o desenvolvimento de pesquisas e o monitoramento desta população, foi criado em 1988 o projeto Baleia Jubarte. Desde aquela época dados científicos importantes para a pesquisa da espécie têm sido obtidos e compilados, como o número da população de baleias cantoras, o registro fotográfico de suas caudas que são como as impressões digitais de cada uma delas, seus hábitos e até um banco de DNA de baleias jubarte desta área que é conhecida como a principal concentração reprodutiva da espécie no Oceano Atlântico Sul Ocidental.


Pesquisadores identificam as baleias pela cauda
Imagem cedida pelo Instituto Baleia Jubarte



Além de realizar pesquisas sobre o comportamento das baleias e a interação destes animais com barcos de turismo da área, o Instituto Baleia Jubarte trabalha ainda com educação ambiental para a conscientização de turistas e comunidade em geral. Mostra a importância da preservação das baleias e seu valor ecológico. Outra missão é transmitir aos representantes políticos, empresários e população local, a importância cultural e econômica destes animais, enfocando o desenvolvimento sustentável da região por meio do turismo para a observação de baleias.

A sede do instituto fica na praia do Kitongo - Caravelas (BA), vizinha à sede do Parque Nacional Marinho de Abrolhos. No centro de Caravelas está situada a sede administrativa do Instituto Baleia Jubarte onde funciona também uma pequena loja para venda de souvenirs - camisetas, adesivos, DVDs, posters, etc - cuja renda reverte diretamente para a manutenção e desenvolvimento das atividades do instituto. Lá são exibidos vídeos e realizadas palestras aos visitantes com o objetivo de divulgar e esclarecer a respeito do meio ambiente da região, do instituto e de seus projetos.

Em abril de 1996, foi criada a organização não-governamental sem fins lucrativos Instituto Baleia Jubarte, com o objetivo de fortalecer o desenvolvimento das atividades de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte e de outras iniciativas para melhorar a qualidade de vida das comunidades litorâneas desta região, como, por exemplo, o Programa de Educação e Informação Ambiental e o Projeto de Gerenciamento Costeiro Integrado.

O instituto abriga também o Projeto Boto Sotalia do Sul da Bahia, que começou a operar em abril de 2002 por causa de indícios de populações de botos cinza (Sotalia guianensis) em uma área nunca antes estudada, equivalente a 135 km de costa, compreendida entre os municípios de Nova Viçosa e Caraíva, na Bahia. O Projeto Boto nasceu também da necessidade de monitoramento da espécie em relação aos possíveis impactos causados pela construção de um porto e operação de barcaças de transporte de eucalipto no rio Caravelas.

A equipe do Instituto Baleia Jubarte é formada por nove pessoas entre biólogos, oceanógrafo, fotógrafo, técnicos em educação ambiental e equipe administrativa. Os recursos para a realização dos projetos são obtidos com os patrocínios. Mas estes recursos são insuficientes. Há necessidade de complementá-los com venda de material de divulgação, como camisetas, adesivos, chaveiros, bonés e, também, de doações.
Os principais apoiadores do instituto são a Pantanal Linhas Aéreas, a Abrolhos Turismo, a Conservation International e o International Fund for Animal Welfare (IFAW). Conta também com o patrocínio oficial da BR Distribuidora (Petrobras).



Os resultados
O Instituto Baleia Jubarte construiu um banco de dados importante para a pesquisa desta espécie. Os levantamentos incluem a identificação fotográfica da cauda das jubartes, com o qual foi formado um catálogo das baleias da região de Abrolhos, constituído atualmente por 500 indivíduos. A partir da identificação individual das baleias, é possível obter informações sobre suas relações sociais, história de vida e movimentos.

Também baseado na foto-identificação foi realizada estimativa do tamanho da população de jubartes que se reproduz no Banco de Abrolhos, informação fundamental para o manejo da espécie na região. Os estudos apontam para um total de aproximadamente mil indivíduos desta população.

Baseado neste levantamento, é possível observar que de 2000 até hoje, as baleias jubarte têm voltado ao litoral norte da Bahia, com o aumento das avistagens. O que criou a necessidade do Instituto estabelecer uma base de trabalho e a realização de cruzeiros de avistagem para o monitoramento e determinação do número de baleias que freqüentam a região.

Patrocinado pela Petrobras, o Instituto Baleia Jubarte iniciou atividades em agosto de 2000 na Praia do Forte (BA). Pesquisadores acreditam que com o crescimento da população, as baleias jubarte voltem a utilizar antigos habitats reprodutivos e povoem novamente uma região da qual foram quase totalmente dizimadas.

Além da presença maciça das baleias nas águas da Bahia (baleia jubarte) e de Santa Catarina (baleia franca), é notável também a chegada de turistas, atraídos pelo espetáculo de observação dos cetáceos. Neste mercado, o turista brasileiro é ainda minoria, com cerca de 40% de participação, e quase sempre estreante.

Uma das mais novas atividades no Instituto Baleia Jubarte é a coleta de material para análise de DNA, que pode ser obtido através de amostras de pele de jubartes vivas ou mortas recentemente. Para a coleta de amostras é utilizada a balestra, instrumento semelhante a um arco-e-flecha medieval, cujo extremo possui uma ponteira adaptada para esta atividade.

Com a balestra, uma pequena quantidade de pele (cerca de 5 cm) é retirada da baleia, sem qualquer prejuízo para o animal. A partir dos dados obtidos, o instituto conseguirá reunir informações a respeito de rotas migratórias, intercâmbio genético entre populações, sexagem dos indíviduos amostrados e outros de fundamental importância para a preservação da espécie.

A contaminação dos oceanos por poluentes químicos também tem sido pesquisada pelo instituto. As baleias são mamíferos aquáticos que estão no topo da cadeia alimentar marinha. Esta característica favorece a acumulação de poluentes em seus tecidos, além de viverem por muitos anos e reservarem energia na forma de gordura, o que forma um reservatório desses elementos no ecossistema marinho.
Esses contaminantes se acumulam na camada de gordura, rins e fígado dos cetáceos e são transferidos através da cadeia alimentar no ecossistema marinho.

Os principais efeitos provocados nesses animais pela contaminação por poluentes como metais pesados, organoclorados e hidrocarbonetos são a destruição do sistema imunológico, alterações endócrinas e do código genético, levando a queda da eficiência reprodutiva, danos ao sistema nervoso, rins e fígado. Além disso, o leite desses animais é muito rico em gordura, e os filhotes já ingerem grandes quantidades de substâncias tóxicas desde o início de suas vidas.

As primeiras amostras de gordura para análise dos níveis de contaminantes químicos nas baleias foram coletadas na temporada de 2002. Estes estudos são importantes para subdisiar a determinação dos fatores que ameaçam a vida e recuperação desses animais que vêm sofrendo com as ações do homem desde a época da caça.

Disseminação do conhecimento
São muitas as atividades de educação ambiental do Instituto Baleia Jubarte nas comunidades do litoral sul da Bahia. O objetivo é estabelecer laços culturais entre a entidade e a população local para que esta conheça a importância da preservação ambiental para a melhora de vida de todos. A disseminação do conhecimento pelo instituto também evita a caça da baleia e o uso de redes de pesca muito grandes, nas quais as jubartes podem se enrolar e morrer.

O programa de informação ambiental começou a existir em Caravelas em 1986, inicialmente voltado para os visitantes do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Com a criação do Instituto Baleia Jubarte, em 1996, o programa de educação e informação ambiental passou a integrar suas atividades e de um grande projeto de conservação para o Complexo dos Abrolhos, o Projeto Abrolhos 2000.

O programa é realizado com patrocínio da Effem e apoio da Petrobras. Em Abrolhos, os primeiros cursos foram endereçados às pessoas diretamente ligadas ao turismo no arquipélago, de proprietários a mestres e marinheiros das embarcações credenciadas pelo Ibama.
Numa segunda etapa, foi desenvolvido um curso para os professores das escolas de ensino básico da sede do município de Caravelas e dos distritos de Ponta de Areia e Barra de Caravelas. Hoje, os alunos são o público-alvo das atividades do programa, despertando os pequenos cidadãos para a sua importância no meio ambiente em que vivem.

As atividades com os alunos incluem palestras, vídeos, teatro de fantoches, exposições, confecção de painéis, pinturas, atividades de respiração e expressão corporal, entre outras.

Para disseminar o conhecimento o instituto tem também programas de estágio. A fim de concorrer a uma vaga de estagiário o aluno envia um e-mail informando a época do ano e o tempo que dispõe para estagiar. Se houver disponibilidade de vagas, o curriculum vitae do aluno será encaminhado.

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