terça-feira, 1 de março de 2011

A fisgada

 

A água-viva é carnívora, ou seja, ela come outros animais. As águas-vivas menores também se alimentam de algas e outros plânctons minúsculos, chamados zooplânctons, através de infiltração. As águas-vivas maiores comem crustáceos e outros animais aquáticos grandes. Ela não procura pessoas para atacar porque seu sistema nervoso é simples demais para isso. Sua fisgada é um mecanismo de defesa e uma forma de capturar a presa.


Encadeamentos de fisgada


O corpo das águas-vivas e mais abundantemente os tentáculos são cobertos por células chamadas cnidócitos, que abrigam nematocistos, que possuem os filamentos urticantes. Quando uma água-viva encontra outro objeto, uma estrutura de disparo no exterior do cnidócito, um “gatilho” denominado cnidocílio, everte o nematocito e nesta estrutura injeta o veneno. As estruturas das células urticantes atingem a vítima displicente como pequenos dardos, disparando veneno. O veneno é uma neurotoxina desenvolvida para paralisar a presa da água-viva. Embora uma água-viva possa matar um animal aquático pequeno, sua fisgada normalmente não é fatal aos humanos. Ela costuma provocar dor, irritações na pele, febre e cãibras nos músculos. O grau de dor e a reação a uma fisgada de água-viva pode depender das espécies. As águas-vivas maiores têm cnidoblastos grandes que podem penetrar mais fundo na pele e algumas delas possuem um veneno mais forte do que outras.


Água-viva morta em uma praia
Imagem cedida Captain Albert E. Theberge/NOAA
Uma água-viva encalhada em uma praia em Cedar Island,
Carolina do Norte


Quando você estiver na praia, tome cuidado com as águas-vivas na água e na areia. Até mesmo um tentáculo que tenha se separado da água-viva pode fisgar. Se você for fisgado, veja o que você tem que fazer:
1. imobilize o membro afetado;
2. inative os nematócitos com vinagre ou ácido acético por dez minutos;
3. não utilize água fresca, álcool ou água sanitária porque aumentam a liberação de veneno pelo nematócito;
4. não esfregue a área atingida - simplesmente tente retirar os tentáculos;
5. passe creme de barbear e cuidadosamente passe a lâmina de barbear sobre a área atingida para retirar os nematócitos;
6. cremes com corticóides ou anestésicos podem ser aplicados depois da limpeza para alívio da dor.
7. na ausência de vinagre, lave com água do mar colhida em distância considerável do acidente para evitar que haja mais tentáculos na água;
8. você também pode jogar areia fina, talco ou farinha na lesão com a parte cega de um faca.
Para saber mais sobre como tratar acidentes com animais na praia ou no mar, clique aqui.
A água-viva tem uma proteção excelente contra os predadores: seus tentáculos urticantes são uma forte barreira e seu corpo transparente ajuda-a a se esconder. Alguns animais, como as tartarugas-cabeçudas, o peixe-lua e o peixe-enxada, comem água-viva. Alguns peixes jovens vivem sobre ou até mesmo dentro da água-viva. Eles se escondem nos tentáculos para evitar serem comidos por predadores até ficarem adultos. E algumas pessoas, principalmente na China e no Japão, também comem água-viva, considerada uma iguaria.
Com exceção das fisgadas ocasionais, a água-viva normalmente não é perigosa. Mas nos últimos anos, determinadas partes do mundo, como Japão, Austrália e alguns locais da Europa, observaram um aumento problemático nas populações de água-viva. Os cientistas acreditam que o aumento no número de águas-vivas pode estar relacionado com nutrientes extras na água, alterações no clima ou a pesca ao longo da costa. Os aumentos exagerados na população são chamados de florescências. Alguns pesquisadores estão preocupados porque o número maior de águas-vivas poderia disputar os recursos de alimentos com os peixes e outros animais marinhos, acarretando até a extinção das espécies nativas. Em grandes quantidades, as águas-vivas provocam estragos nas indústrias pesqueiras locais ao fazerem furos nas redes de pesca e dizimar populações de peixe.


Atolla wyvillei
Imagem cedida Kevin Connors /MorgueFile
Uma colônia, ou um grupo pequeno, de águas-vivas


A água-viva sobrevive melhor no seu ambiente natural, mas muitos aquários têm tanques com este animal. As pessoas que capturam e criam a água-viva em cativeiro devem tomar muito cuidado para não danificar seu corpo frágil. É fácil recolher a água-viva no estágio de pólipo, quando ela está menos vulnerável. O ideal é que ela fique em um tanque sem cantos pontiagudos ou obstáculos nos quais poderia se cortar. Além disso, a água precisa ter um certo fluxo porque a água-viva se desloca basicamente através das correntes.
Aqui estão alguns dos muitos tipos diferentes de água-viva:
Água-viva cubozoária
Esta água-viva se parece com um quadrado com seus quatro lados, daí o nome "cubo". Embora  tenham sido consideradas em uma ordem (Cubomedusae) da classe Scyphozoa, essas medusas pertencem a uma classe específica, Cubozoa. A cubomedusa tende a flutuar na direção das desembocaduras dos rios e riachos e sua fisgada é muito dolorosa. As pessoas que foram fisgadas distraidamente podem sentir cãibras intensas nos músculos e dificuldade de respirar.


Atolla wyvillei
Imagem cedida E.Widder/NOAA Ocean Explorer
Atolla wyvillei, uma água-viva que vive no fundo do mar


Água-viva do fundo do mar
O nome deste tipo de água-viva diz tudo. A água-viva do fundo do mar vive em águas profundas, cerca de 7 mil metros abaixo da superfície do oceano, diferentemente da grande maioria de suas parentes. Em geral, ela é escura: marrom, roxa ou preta.
Água-viva Irukandji
Irukandji é um tipo de água-viva cubozóide encontrada na Austrália. Embora ela seja pequena (aproximadamente do tamanho da unha de um dedão humano), seu veneno é extremamente tóxico. Este tipo de água-viva tem cnidoblastos no seu corpo, assim como nos tentáculos. A fisgada da Irukandji é muito dolorosa e provoca tantos sintomas graves que os cientistas deram um nome a eles: síndrome de Irjukadji. Os sintomas incluem pressão alta, vômito, dores de cabeça, cãibras extremas e dor, além de uma sensação de queimação. A síndrome de Irukadji pode durar até duas semanas e não há antídoto. Os médicos descobriram que infusões de magnésio pode aliviar um pouco, mas a síndrome pode ser fatal.


Uma água-viva de lua
Imagem cedida Florida Keys National Marine Sanctuary
Uma medusa luna


Medusa luna
Este é o tipo de água-viva mais visto nas costas da América do Norte e da Europa. Essa água-viva rosa ou azul normalmente vive nas águas a cerca de 6 m de profundidade. Sua fisgada é suave, deixando uma erupção vermelha que coça.
Para mais informações sobre a água-viva e assuntos relacionados, confira os links na próxima página.


Caravela-portuguesa

Uma caravela-portuguesa
Imagem cedida NOAA

Uma caravela-portuguesa não é uma água-viva, embora se pareça com uma. Na verdade, ela é um sifonóforo, ou seja, colônias que podem se direcionar utilizando da direção dos ventos que incluem quatro animais individuais, cada um com sua função (por exemplo, fisgada, alimentação, movimentação e reprodução).
A caravela-portuguesa, membro do mesmo filo da água-viva, Cnidários , recebeu esse nome no século XVIII por causa de um navio com o qual se parecia. Sua fisgada pode ser muito dolorosa e pode apresentar sintomas como calafrios, febre, náusea, vômito e choque. Em alguns casos, as fisgadas são fatais.

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