quinta-feira, 3 de março de 2011

Caça e conservação

No passado, o contato que os humanos tinham com as baleias era para a caça. Em algumas culturas, a carne da baleia era uma fonte importante de alimento desde os tempos pré-históricos. As baleias eram altamente visadas porque, assim como o mamute ou o bisão, um único animal rendia uma grande quantidade de carne. Mas por volta de 1700, quando a caça à baleia realmente decolou, o foco mudou da carne para o óleo derivado da gordura da baleia. Como essa gordura era o principal combustível para as lamparinas em muitas partes do mundo, o óleo de baleia foi um grande negócio nos séculos 18 e 19.



Foto cedida pelo NOAA
O deck de um baleeiro no começo do século 20. A caça à baleia era um grande negócio nos EUA, Rússia e muitos outros países.


Nesse período, a baleia filtradora era também muito valorizada. A queratina, conhecida como barba de baleia, combina força e flexibilidade. Essas qualidades fazem dela uma escolha ideal para uma variedade de produtos incluindo os espartilhos femininos, produtos de montaria e guarda-chuvas. Os dentes de baleia, entalhados com inscrições e decorações, eram também muito populares particularmente entre as classes mais altas.
O crescimento da caça nesse período teve um profundo impacto em muitas espécies. Como as baleias somente se reproduzem uma vez por ano (ou, em muitas espécies, uma vez a cada dois ou três anos) elas foram devastadas pela caça excessiva. Uma baleia fêmea pode viver 50 anos ou mais e pode reproduzir dúzias de filhotes neste período, portanto, a perda de uma fêmea somente tem um efeito que atinge a população inteira. Além disso, o reduzido número de baleias afeta o equilíbrio ecológico do mar conduzindo a um excesso de krill em muitas áreas, o que pode conduzir a um rápido crescimento populacional de outras espécies que se alimentam destas criaturas.
Com a invenção do arpão e a crescente mobilidade dos barcos movidos a vapor, os baleeiros podiam mirar em espécies mais astutas que antes conseguiam escapar. Isso somado à crescente popularidade dos cosméticos à base de óleo de baleia conduziram a um período sem precedentes de caça no final do século 19 e começo do século 20. Por volta dos anos 40 estava claro que algumas espécies estavam quase extintas. Para assegurar o futuro da indústria, as principais nações que caçavam baleias se uniram em 1946 e assinaram a International Whaling Convention. Como parte desse acordo, as nações estabeleceram a International Whaling Commission, uma organização independente encarregada de pesquisar as populações de baleias e a da regulamentação da prática da caça à baleia.
Ao longo dos anos, a comissão estabeleceu regras mais rígidas para a caça porque a população das baleias continuava a diminuir. Em 1986, a comissão declarou a moratória mundial da caça à baleia porque ficou claro que qualquer desencadeamento à prática de caça poderia por em risco de extinção as espécies. Hoje, a comissão somente permite a caça em pequena escala por certas culturas aborígenes e para a pesquisa científica. Algumas nações como o Japão e a Noruega continuam a caçar afirmando que estão somente controlando as populações regionais.



Foto cedida pelo NOAA/NMFS
Essa baleia franca foi chamada de "Calvin" pelos pesquisadores do Aquário da Nova Inglaterra. Eles tentaram liberá-la de um equipamento de pesca no começo de 2001. Como não conseguiram, instalaram um rastreador via satélite no equipamento para que pudessem monitorar o percurso dela. Em junho de 2001, após o dispositivo ter falhado, a baleia foi localizada e estava livre do equipamento. 


Sob essas leis, muitas espécies de baleias saíram do risco de extinção, mas outras como a baleia franca ainda estão em perigo. De acordo com as organizações de preservação das baleias, a sobrevivência dessas espécies depende de regras ainda mais rígidas e mais campanhas de vigilância contra operações de caça ilegal. Se os esforços de conservação forem bem-sucedidos, as espécies ameaçadas terão uma boa chance de repovoar as suas populações e continuar a viver em paz nos oceanos por muitos 50 milhões de anos.

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