quinta-feira, 3 de março de 2011

Baleia Jubarte - a baleia cantora

 

A baleia jubarte é uma espécie migratória que passa boa parte da vida de forma solitária. Por isso, são muitas as situações onde o som é o único meio através do qual os animais interagem. Pesquisadores que trabalham com populações de jubarte em todo o globo vêm observando que estas baleias emitem sons enquanto realizam as mais variadas atividades: fêmeas conversam com os filhotes, grupos competitivos emitem uma variedade de notas, e os machos cantam. A complexidade, a beleza e a importância do canto para a espécie fizeram com que as jubartes recebessem o título de "baleias cantoras".

A baleia jubarte adulta mede de 12 a 16 metros e pesa mais de 40 toneladas. De janeiro a julho, alimenta-se nos pólos e de julho a novembro migra para os mares tropicais. Nada a uma velocidade de 6 a 12 km/h.

Os inimigos naturais da jubarte são as orcas (Orcinus orca), as falsas-orcas (Pseudorca crassidens) e os grandes tubarões da família Carcharhinidae. Esses animais atacam as jubarte, principalmente quando jovens e menores.

Devido aos seus hábitos costeiros durante os períodos migratórios (julho a dezembro), a baleia jubarte sofre com fortes pressões antrópicas, como as capturas acidentais em redes de pesca, colisão com barcos e navios, poluição dos mares e a destruição de seus habitats.
Outra ameaça potencial e iminente é o aumento do turismo para a observação de baleias (whalewatching) no Banco dos Abrolhos, que, se feito de forma irracional e descontrolada, pode molestar seriamente as baleias jubarte. A atividade petrolífera na região do Banco dos Abrolhos e adjacências é causa de preocupação quanto a futuros impactos sobre a população de baleias. Existem registros de capturas em redes de deriva oceânicas para as regiões sul e sudeste do Brasil.

Já em 1602, foi estabelecido, na região de Salvador (BA), o primeiro porto destinado à caça das baleias. No decorrer do século 17 foram criadas novas armações em pontos estratégicos espalhados por todo o litoral da Bahia, e a região de pesca à baleia foi estendida até o Sudeste. Da gordura do animal era extraído o óleo, importante fonte de energia para a iluminação das cidades e principal razão pela qual as baleias eram caçadas.

A caça de baleias é proibida por lei no Brasil desde 1987 e na maioria dos países, menos na Noruega, Japão e na Islândia. No entanto, várias espécies continuam em perigo, pois durante séculos a caça indiscriminada reduziu drasticamente as baleias de todos os oceanos. Alguns cientistas calculam que a caça indiscriminada de baleias tenham reduzido suas populações nos mares do mundo entre 60 a 80%. De uma população inicial estimada em 150 mil jubartes, restam hoje cerca de 25 mil, de acordo com o Ibama.

Além do Instituto Baleia Jubarte, existem vários outros monitorando e estudando as seis outras espécies de baleias que freqüentam a costa brasileira. São elas: Bryde, Minke, Sei, Fin, Franca-do-Sul e Azul.



Na região do Arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia, na época do acasalamento, as baleias jubarte chegam e se concentram para reprodução e cria. São observadas normalmente em pares fêmeas com filhotes acompanhadas de machos adultos (escorts). Estes competem pelo acesso às fêmeas em idade de reprodução. Os machos disputam as fêmeas com lutas entre si e comportamentos agressivos. A maturidade sexual é alcançada com aproximadamente 11 meses. A gestação dura cerca de 1 ano. As fêmeas dão à luz a um único filhote que ao nascer mede cerca de 5 metros e pesa 1,5 tonelada. A amamentação dura de 6 a 10 meses. O intervalo médio entre as crias é de 2 anos. Podem viver, pelo menos, 40 anos.


Mãe e filhote na região de Abrolhos
Imagem cedida pelo Instituto Baleia Jubarte


A luta por sexo




Barcos que perturbam


O aumento descontrolado do turismo, principalmente aquele voltado à observação de baleias, o "whalewatching", pode acarretar molestamento destes animais, o que perturba seu ciclo reprodutivo, como constatado pelos cientistas do Instituto Baleia Jubarte.

Por causa disto, em dezembro de 1996, o Ibama baixou a portaria nº 117, que estabelece normas para avistagem de cetáceos em águas brasileiras. Na região de Abrolhos são observadas fêmeas acompanhadas de filhotes recém-nascidos, particularmente vulneráveis à aproximação de embarcações.

O ruído provocado pelos motores destes barcos ocasiona freqüentemente a interrupção de atividade de amamentação e, a longo prazo, pode causar o abandono de áreas de reprodução.

Para evitar o molestamento das baleias jubarte pelas embarcações de turismo na região de Abrolhos, o Instituto Baleia Jubarte realiza palestras para proprietários e tripulações dos barcos de turismo. Além disso, toda embarcação que fundeia no Arquipélago de Abrolhos de julho a novembro, recebe a visita de um técnico do instituto. Durante esta visita são distribuídos folders com as normas de avistagem e é enfatizada a necessidade de colaboração de todos para a preservação da espécie.

Em alguns locais do mundo populações de jubarte deixaram de usar uma área devido ao intenso tráfego de embarcações. Alguns pesquisadores dizem que certos grupos de baleias mudam seu comportamento quando os barcos estão se aproximando delas, entretanto outros dizem não existir reação alguma. Até hoje não se sabe, com certeza, como a aproximação de embarcações pode ser prejudicial às baleias. Por esse motivo, o Instituto Baleia Jubarte iniciou, em 1997, um estudo no qual pretende avaliar as reações das baleias a diferentes tipos de barcos e quais tipos de grupos - mãe com filhote, solitário, dupla de adultos, trios, etc - é mais ou menos afetado.

Esta pesquisa continua em andamento e ainda não tem um resultado, mas ao ser finalizada dará o embasamento para criação de uma regulamentação da conduta dos barcos de turismo na observação das baleias, garantindo assim o bem-estar da população brasileira de jubartes nas águas de Abrolhos.

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